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Contraponto Honda GL 1800 Gold Wing Tour DCT vs Indian Pursuit Limited – Encontro de Titânides

Há motos que não se explicam. Sentem-se, saboreiam-se e desfrutam-se, desde que se lhes respeite a sua vocação.

Além do respeito que impõem à sua chegada e da curiosidade que desperta a sua presença, o conforto que proporcionam aos seus ocupantes é incomparável. Carregadas de tecnologia, estas Tourers incorporam algumas das mais avançadas ajudas eletrónicas à condução e ciclísticas carregadas de componentes premium. No entanto, não podiam ser mais diferentes entre si. 

A Indian Pursuit encerra nela o espírito americano, com linhas nostálgicas, voluptuosas, sublinhadas por muitos cromados e o pulsar de um enorme e compassado V-Twin, que serve maravilhosamente de banda sonora para horizontes longínquos e paisagens descomunais. 

Por seu lado a Honda Goldwing reflete a harmonia, a sensualidade e a mestria da cultura japonesa, com um trato afável, quase delicado, uma resposta precisa e imediata, um desenho simples mas eficaz, num conjunto completamente focado no prazer de condução.

Digamos que a Pursuit é o Cowboy e a Goldwing o Samurai, cada uma com os seus próprios méritos.

A Honda Goldwing que agora tive oportunidade de testar é basicamente a mesma que já tinha tido oportunidade de desfrutar há uns anos, com pequenos retoques em termos de acessórios. A Indian Pursuit é basicamente a Indian Challenger que também já tinha tido oportunidade de testar, mas agora equipada com uma Top-Case. 

Se a Honda Goldwing Tour tem como concorrência direta a BMW K1600 Grand America (33.200€), a Indian Pursuit bate-se a par com a Harley-Davidson Road Glide Limited (36.200€). Não vou aqui incluir as Harley Davidson Ultra Limited, BMW R18 Transcontinental nem a Indian Roadmaster pois essas, apesar de muito semelhantes e pertencerem ao mesmo segmento, apresentam carenagens frontais fixadas na forquilha da moto e não fixadas no quadro, o que se traduz numa experiência de condução diferente.Ambas disponibilizam controlo de tração, cruise control e diversos mapas de motor (normal, desportivo e chuva) com a Honda a oferecer além disso um modo de economia que optimiza a combustão e aumenta o efeito travão-motor.

Em termos de transmissão da potência à roda, estas duas motos oferecem também soluções bem diferentes, com a Honda a puxar dos galões e a oferecer a sua exclusiva caixa de 7 velocidades automática, de dupla embraiagem (DCT) e veio de transmissão blindado, enquanto que a Indian opta por uma mais conservadora configuração de caixa manual de 6 velocidades e transmissão final por correia dentada. A Gold Wing ainda apresenta uma funcionalidade muito conveniente, sobretudo para manobrar uma moto que, completamente carregada, pode atingir pesos na ordem dos 600 quilos: é a marcha lenta, para a frente e para trás, convenientemente controlada pelas patilhas do comando manual da caixa DCT.

Na travagem ambas estão preparadas para, apesar do seu elevado peso, conseguirem reduzir eficazmente a velocidade, não mostrando fadiga mesmo quando frequentemente solicitadas em estradas de montanha, com carga e passageiro. 

Na Honda agradece-se a grande sensibilidade da manete e do pedal, este ajudado pela aderência proporcionada pelo enorme pneu traseiro de medida 200/55R16.

A travagem da Indian, apesar da potente mordida, apresenta-se mais rude, menos doseável e a exigir maior força na manete, o que em ritmos mais elevados resulta em maiores distâncias de travagem. Na Gold Wing, além do sistema “Hill Hold Assist” que mantém a moto automaticamente travada sem ser necessário tocar nos travões e arrancar sem necessidade de destravar, ainda existe um travão de estacionamento manual, facilmente acionável, já que o sistema DCT não permite deixar a moto engatada com o motor desligado. 

Ambas as motos apresentam ABS, contando a Indian com a assitência de uma unidade de medição de inércia Bosch que melhora substancialmente o comportamento em curva. Na Honda, além do ABS, a travagem incorpora um sistema de combinação que faz a gestão da intensidade de travagem entre o eixo dianteiro e traseiro e cuja intervenção é adaptada automaticamente de acordo com o modo de condução escolhido. 

A suspensão de ambas é sobretudo vocacionada para proporcionar conforto. Na Honda, que apresenta uma solução dianteira pouco convencional mas que ajuda a reduzir o afundamento sob travagem, a regulação eletrónica incide sobre ambos os eixos e é também ajustada automaticamente de acordo com o mapa de motor, permitindo ainda regulação consoante a carga. Na Indian, que na frente apresenta uma forquilha hidráulica telescópica convencional, invertida, apenas a pré-carga do amortecedor traseiro pode ser regulada eletronicamente, de acordo com a carga, através do painel de instrumentos,  

A proteção aerodinâmica é a principal razão das descomunais dimensões destas motos. Proteger condutor, passageiro e (muita) bagagem das condições meteorológicas, dos insectos e das projeções causadas por outros veículos, sem roubar visibilidade, conseguir dissipar o calor do motor sem afetar os passageiros nem causar turbulências nos capacetes ou na própria moto, não é uma tarefa fácil. Ecrãs pára-brisas generosos, reguláveis eletricamente e punhos e assentos aquecidos são equipamento de série nestes dois modelos. 

Mas as mordomias em prol de uma máximo conforto a bordo não se ficam por aqui! O sistema de entretenimento é algo fundamental para complementar as grandes viagens. E nesse aspecto estas duas motos excedem qualquer expectativa. Assente em ecrãs TFT de 7 polegadas (sensível ao toque no caso da Pursuit) os paineis de instrumentos reúnem toda a informação necessária em viagem. Da pressão dos pneus ao GPS, permitem ainda consultar toda a informação sobre a moto e sobre a viagem, além da configuração dos modos de condução (na Honda) e nos mapas de motor e suspensão (na Indian). Além disso ambos os sistemas são compatíveis com Apple CarPlay e Android Auto (no caso da Honda) e capazes de incorporar os sistemas de intercomunicação dos capacetes.

Ignição sem chave, piscas auto-canceláveis, comando remoto das fechaduras das malas e sistemas de som de fazer inveja a muita organização de eventos, são mais alguns dos luxos que estas motos oferecem.

E depois, em termos de qualidade de construção e acabamentos, aspecto em que ambas são realmente exclusivas, a Gold Wing destaca-se pela simplicidade e redução de ruídos e a Pursuit destaca-se pela ostentação de cromados e pespontos dos estofos.

Honda GL 1800 Gold Wing Tour DCT

Como frisei no início deste texto, na prática, estas motos não podiam ser mais antagónicas em termos de sensações. Apesar de garantirem uma excelente ergonomia, as posições de condução são de tal forma diferentes que, ao mudar da Pursuit para a Goldwing, a japonesa parece ser uma moto muito mais pequena e leve do que é na realidade. Na Indian, conduzimos de pernas abertas, pés para a frente e braços esticados, completamente imersos na moto, enquanto na Honda vamos mais expostos, com os cotovelos mais juntos ao corpo e as pernas ligeiramente recuadas, o que convida a ritmos mais rápidos e facilita as manobras a baixa velocidade.

Ambas bastante limitadas em termos de inclinação lateral em curva, conseguem no entanto apresentar um excelente comportamento em curvas abertas a alta velocidade, mesmo quando bastante carregadas, sendo fáceis de inserir em curva, mantendo a trajectória de forma estável e previsível.

Os interfaces de utilizador adoptam estratégias diferentes, com a Honda a apostar fortemente num grande número de botões dedicados e a Indian a limitar os botões ao mínimo e a dar uso ao ecrã tátil do painel de instrumentos para uma navegação mais eficaz entre os diversos menus de informação e configuração.

Indian Pursuit Limited

Na gestão do calor irradiado pelo motor, ambas foram sujeitas a um excelente trabalho, muito melhor do que em muitas motos de cilindrada bastante inferior, não castigando os ocupantes, como pudemos verificar durante o dia da sessão de fotos que ilustra estas páginas em que, no profundo Alentejo sob temperaturas a rondar os 40ºC, a carga térmica dos motores não era significativa.

Tanto a Gold Wing como a Pursuit oferecem excelentes condições ao passageiro. Facilidade de acesso, espaço suficiente para não interferir com o condutor e muito conforto sob a forma de boa proteção aerodinâmica, boa suspensão, pegas bastante ergonómicas, encostos perfeitos, muito espaço de bagagem e regulação autónoma da temperatura do assento e do nível do som dos altifalantes traseiros, além de uma elevada qualidade de audio, são condições (e argumentos) difíceis de encontar noutros tipos de motos.

Para os lobos solitários ambas as marcas disponibilizam modelos equivalentes, mais discretos e compactos mas igualmente capazes de tragar muitos quilómetros de seguida com extremo conforto, a Honda com a Gold Wing de versão base (Bagger) e a Indian com a Challenger.

Escolher uma delas é extremamente fácil. Para fazer a Route 66, indiscutivelmente escolhia a Indian Pursuit. Para fazer uma ronda pelos Alpes, sem dúvida que escolhia a Honda Gold Wing Tour.

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