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Kawasaki KZ1000 Jim Goose – uma moto do filme Mad Max

Imagine que a civilização tinha colapsado e o seu trabalho era tentar manter a ordem. Que moto escolhia?

Foi no longínquo ano de 1979 que o primeiro filme da saga Mad Max (conhecido como “As motos da morte”) estreou nos cinemas australianos.

Com a direção de George Miller e um jovem Mel Gibson como protagonista no papel do agente “Mad” Max Rockatansky, o filme retratava um mundo pós-apocalíptico em que a MFP (Main Force Patrol) era a força que tentava manter a ordem.

Como parceiro, Max tinha um intrépido colega, Jim ‘The Goose’ Rains (Steve Bisley), que surge no grande ecrã aos comandos de uma altamente modificada Kawasaki de 1977.

A KZ1000 da MPF foi originalmente modificada na Austrália, com inspiração nas motos que militavam no Bol D’Or nos anos 70 do século passado e ficou para a história, tendo sido replicada por todo o mundo para gáudio da enorme legião de fãs da saga. 

Uma das réplicas da moto do Jim Goose está precisamente em Portugal. Fabricada pela Unik Motorcycles, empresa liderada por Tiago Gonçalves, para outro português fã do enredo do Mad Max, o principal desafio do prolífico construtor português (esta foi a sua 42.ª construção) foi conseguir uma grande semelhança com a moto do filme, já que várias circunstâncias se interpunham, como é normal neste tipo de projetos, mais a mais quando têm que enfrentar o peso da popularidade.

O principal facto a contornar foi o de a moto utilizada neste projecto Luso ser de um ano diferente, mais precisamente de 1981, o que devido às ligeiras diferenças com o modelo original, dificultou a adaptação de kits pré-fabricados, necessitando de trabalho redobrado na instalação de alguns suportes, nomeadamente da carenagem. 

O depósito de combustível do modelo de 1981 foi substituído pelo de uma moto de 1979 (esse igual ao da versão original de 1977) mas precisou de ser adaptado para poder encaixar no seu devido lugar, e as linhas de escape e ponteiras foram fabricadas de raiz pela Unik. 

Outro aspecto que complicou a construção, que acabou por demorar cerca de um ano, foi o facto de a moto do filme ser australiana, adaptada para uma condução pela esquerda, o que obrigou à recolocação do espelho retrovisor, que teve que trocar de lugar com o megafone para se adaptar à condução pela direita.

A impressionante qualidade da pintura faz no entanto esquecer quaisquer outras discrepâncias, como a tampa do depósito de combustível ou a antena de rádio, até porque na moto original, ao longo do filme, também existem certas incongruências, sendo a mais óbvia nas jantes, que nas cenas iniciais são de raios e, mais à frente no filme, já são de fundição. 

Na moto não faltam pormenores tão importantes como o aparelho de rádio CB, a sirene e as luzes azuis de emergência. 

Apontamentos como os emblemas de bronze identificativos da MFP, que exibem o lema “Maintain Right”, ou o nome Kwaka (termo carinhoso usado pelos australianos para definir uma Kawasaki) inscrito no depósito de combustível, aparecem a par com o autocolante do ganso, uma assinatura do Jim Goose (ganso).

Para mim, esta foi uma excelente oportunidade de andar para trás no tempo, e poder efectivamente constatar quão evoluídas são as motos da actualidade. Os escassos 30 quilómetros que percorri em modo Mad Max pareceram-me bastante mais.

Não que o motor não respondesse bem, e não tivesse pegado praticamente à primeira, apesar de ter que lidar com uma regulação manual da mistura e uma torneira de gasolina, ou porque o volume da enorme carenagem frontal em fibra de vidro se agigantasse com o enorme rádio CB colocado mesmo abaixo da linha de visão, esta já de si um pouco perturbada com o enorme lettering da MFP colado no ecrã. 

Mas a ciclística demasiado madura, a posição de condução pouco confortável, com as pernas demasiado fletidas, o elevado peso do conjunto, a direção vaga, os discos de travão maciços em conjunto com a pouco mordaz intervenção da manete e o efeito pára-quedas causado pelo vento lateral no enorme volume das carenagens, não prometiam grande confiança.

E tendo em conta que a moto não era minha e tratando-se de uma verdadeira obra de arte, pensada mais para ser vista do que para ser usada, a responsabilidade não me dava margem para grandes entusiasmos. Antes pelo contrário. 

Valeu pela experiência cosplay de viver uma lenda, e por poder apreciar de perto, e com tempo, um trabalho de exceção, além de ver o entusiasmo e dedicação com que o nosso fotógrafo conseguiu captar os pormenores desta moto que não deixou ninguém indiferente à sua passagem.

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Fonte:https://www.andardemoto.com.br/test-drives/64646-kawasaki-kz1000-jim-goose-uma-moto-do-filme-mad-max/

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