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Rally Dakar 2023: a moto campeã está à venda

A maior competição off-road do mundo também exibe tecnologia, robustez e desempenho das motocicletas, em uma vitrine para as marcas vencedoras

A 45ª edição do Rally Dakar, disputada entre 31 de dezembro de 2022 e 15 de janeiro de 2023 nos desertos da Arábia Saudita, teve um desfecho inacreditável. Depois de 8.594 quilômetros, sendo 4.706 quilômetros de especiais contra o relógio em 14 etapas, o argentino Kevin Benavides, a bordo do protótipo KTM 450 Rally Factoring, venceu o companheiro de equipe, o australiano Toby Price, por ínfimos 43 segundos, depois de 44 horas, 27 minutos e 20 segundos.

É a segunda vez que o piloto de 34 anos, nascido em Salta, Noroeste da Argentina, vence o Dakar. A primeira foi em 2021, a bordo de uma Honda CRF 450 Rally, quando tornou-se também o primeiro sul-americano campeão. Salta fica aos pés da Cordilheira dos Andes, exatamente palco do roteiro do Dakar (em 2017, por exemplo), quando foi disputado na América do Sul, entre os anos de 2009 e 2019. Países como Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Paraguai fizeram parte da competição. Um incentivo que não ultrapassou a fronteira do Brasil, fora da competição em todas as edições.

Uma prova com roteiro itinerante

O Rally Paris Dakar começou em 1978, organizado por Thierry Sabine, ligando a França ao Senegal, através dos desertos da África. O primeiro vencedor foi o também francês Cyril Neveu, a bordo de uma Yamaha XT 500, precursora das big trails atuais. Em 2008, às vésperas da largada, a prova foi cancelada devido a instabilidades políticas na Mauritânia, que receberia oito das 15 etapas, motivando a migração para a América do Sul no ano seguinte, conservando o batismo Dakar. A partir de 2020, a prova vai para a Arabia Saudita, que igualmente mantém a mítica marca Dakar.

O regulamento da prova, desde 2009, limita as motocicletas a no máximo 450cm³, por questões de maneabilidade e segurança. Foi o que motivou a Honda (e outras marcas), por exemplo, a voltar para a disputa em 2013, depois de participar entre 1981 e 1989, vencendo cinco vezes. O modelo de série CRF 450X Rally foi a base para o desenvolvimento do protótipo CRF 450 Rally Factoring (HRC, Honda Racing Corporation), que teve a participação do piloto mineiro Felipe Zanol em seu aperfeiçoamento.

Entretanto, foi a austríaca KTM que mais venceu o Dakar, transformando a prova em uma espécie de cartão de visitas da sua tecnologia no fora de estrada. Foram 18 vitórias consecutivas entre 2001 e 2019, que viraram 19 vitórias no total, em 2023, com a 450 Rally Factoring de Kevin Benavides.

Detalhes do regulamento

Este ano, o regulamento premiou os pilotos mais rápidos e não apenas estratégicos. Quem vencia a etapa anterior, largava na frente no dia seguinte, abrindo a prova sem referência de rastros dos outros competidores, por exemplo. Nesta edição, o piloto vencedor de etapas recebe um bônus de 1,5 segundo por quilômetro na liderança, o segundo colocado, 1,0 segundo e o terceiro, 0,5 segundo, descontados no tempo acumulado.

Porém, o regulamento, por questões de segurança, fixou a velocidade máxima em “apenas” 160km/h, mas eliminou as paradas técnicas obrigatórias de 20 minutos. Também adotou oficialmente o road book (livro de bordo com indicações do roteiro que fica na torre do painel) em formato digital, liberado 20 minutos antes da largada.

As motos do Rally Dakar

Os tanques de combustível, distribuídos nas laterais, traseira (funciona como parte do quadro) e central, devem ter no máximo 34 litros. A moto também deve conter um reservatório de três litros de água potável. Durante as etapas maratona, somente os próprios pilotos podem fazer a manutenção, sem ajuda externa de mecânicos. Somente seis pneus traseiros (dependendo da quantidade de etapas) são permitidos durante a prova. Os pilotos também usam um casaco com air bag e levam um sinalizador eletrônico que indica sua posição em caso de resgate.

A KTM 450 Rally Factoring vencedora no Rally Dakar 2023 teve a eletrônica refinada, que inclui o controle de tração. O motor de um cilindro e 449,3cm³ tem comando simples (SOHC), arrefecimento líquido com ajuda de radiador de óleo e filtro de ar de fácil acesso na parte superior, deslocando a bateria para a parte central, centralizando as massas. O escape é Akrapovic com saída mais curta e baixa, também para centralizar as massas. Uma extensa proteção do motor, funciona como “peito de aço”. O gerenciamento eletrônico é Keihin, ajustado com as demandas da caixa do filtro de ar e escape. A potência (não revelada) é de mais de 60cv, e a embreagem multi-discos com maior capacidade, para suportar a maior potência, tem acionamento hidráulico.

O quadro com arquitetura em treliça é de aço cromo-molibdênio com reforços em alumínio e fibra de carbono. A suspensão dianteira é White Power (subsidiária da KTM) invertida XACT Pro com 48mm e sistema cone valve ajustável com 304mm de curso. A suspensão traseira White Power XACT Pro também é plenamente regulável com 300mm de curso em balança de alumínio e rodas raiadas. Os freios são a disco.

A ergonomia tem banco reto e quase nenhum conforto, amortecedor de direção, controles do road book no punho e partes em fibra de carbono para reduzir peso. A KTM 450 Rally Factoring, campeã do Rally Dakar 2023, gerou a KTM 450 Rally Replica 2023, para clientes (não oficiais de fábrica), limitada em 70 unidades, com especificações técnicas semelhantes ao custo de cerca de 30 mil euros. As marcas Husqvarna (terceira colocada) e GasGas (sétima colocada) também fazem parte do grupo (Pierer Mobility) KTM, com intercâmbio de técnicas e engenharia.

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fonte: https://www.vrum.com.br/motos/rally-dakar-2023-moto-campea/

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